terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Recomendação Literária - Mandato Cultural (Caderno Sibapa)

INTRODUÇÃO

É bem possível que se não todas, a maioria das pessoas já tenha tido a triste experiência de ter passado ou ter ouvido sobre as consequências trágicas de um acidente. Quando um acidente grave acontece a morte é sempre esperada como desfecho. Contudo, não é sempre que a morte acontece, mas mesmo assim as sequelas físicas e emocionais podem permanecer por muito tempo e, em alguns casos, permanecer por toda a vida. Foi exatamente isso o que aconteceu com alguém que se envolveu num terrível acidente automobilístico. Seu carro se chocou de frente com uma grande carreta carregada de sal. Em questão de segundos toda uma vida poderia ter terminado ali, mas quis Deus que a tragédia não fosse tão grande.
Apesar da morte não ter sido a consequência desse acidente, restou um joelho esquerdo triturado em mais de vinte pedaços. Uma longa cirurgia de reconstrução, muitos e muitos meses de exercícios fisioterápicos tiveram que ser feitos, mas nada poderia se comparar ao estímulo que andar, simplesmente andar fazia à musculatura da perna afetada. Mesmo com todos os cuidados para diminuir o efeito da disfuncionalidade ou da falta de estímulo, a perna foi se atrofiando.
Quando finalmente chegou o dia de colocar o pé no chão alguma coisa mudou. Os músculos começaram a ser estimulados de uma forma diferente, mais intensa, mais equilibrada. Uma força que há muito tempo tinha desaparecido finalmente havia voltado. O estímulo dado pela função (utilidade) foi suficiente para trazer a musculatura da perna ao seu estado normal.
A atrofia espiritual parece ser a consequência natural de quem ainda não compreendeu o importante significado da palavra MINISTÉRIO. Depois do dia mais importante na vida de qualquer cristão, muitos têm enxergado nos bancos da igreja o seu principal estímulo. Pouco se desenvolvem, pouco caminham e, por isso, atrofiam. Quando o verdadeiro significado da palavra MINISTÉRIO acompanha o cristão em sua jornada, um estímulo, uma motivação muito grande se estabelece para que este cresça constantemente e não se atrofie. Assim, o objetivo principal dessa aula é contribuir para que você descubra essa fonte inesgotável de motivação que está presente no MINISTÉRIO.

Base conceitual de Ministério (Atos 6:1-6):

Como é difícil entender alguém que fala em outra língua não é mesmo? Há inclusive um ditado popular para dizer que não se entendeu nada do que uma pessoa disse. Dizemos assim: Falou grego! Coincidentemente existe uma palavra em grego que define o que de fato é ministério. É a palavra Diakonos que significa servir. Isso mesmo! A tradução fiel para a palavra ministério é servir. Interessante não é mesmo? Quem quer exercer um ministério deve estar disposto a servir.
O texto bíblico de Atos 6:1-6 mostra exatamente isso. Nessa época, o número de cristãos havia crescido muito e uma diferença, um desentendimento começou a existir entre cristãos gregos e hebreus, em função das viúvas gregas estarem sendo esquecidas na distribuição diária ( O Novo Comentário Bíblico). Os apóstolos então observaram que seria necessário escolher outras pessoas para cuidar desses assuntos para que a mensagem do evangelho de Cristo continuasse a ser transmitida. Era assim instituída a função da diaconia, em outras palavras, o serviço a outras pessoas.

Leia, reflita e depois dê a sua opinião:

1. A base conceitual de Ministério é servir. Como você entende esse serviço?
2. Quais são as características de alguém que serve num Ministério?
3. O ministério pode ser remunerado ou não?
4. E se o ministério for remunerado, como no caso de um pastor de igreja, continua sendo ministério?
5. É possível exercer um ministério fora da igreja?

Muito bem. Após uma grande confusão sobre o que realmente é ou não ministério, é bem provável que a discussão proposta no exercício anterior ainda não tenha chegado a uma conclusão final. Mas tenha paciência, pois vamos conseguir chegar lá!
Leia com bastante calma a seguinte afirmação feita pelo Pr. Ed René da Igreja Batista de Agua Branca: “Trabalho é servir a Deus para colocar ordem no caos”. Antes de você começar a pensar no que ele está querendo dizer, vamos nos concentrar primeiramente em alguns pontos importantes sobre o que se chama MANDATO CULTURAL.
Há uma ideia geral de que para que alguém possa de fato estar envolvido em um ministério, algumas posturas devem ser assumidas:

1. Um ministério deve sempre ser voluntário;
2. Um ministério deve sempre ser exercido dentro da igreja;
3. Um ministério deve sempre estar voltado para a prática do evangelismo;
4. Uma função ministerial é sempre voltada para o contexto religioso.

Se alguma dessas condições não for estabelecida, automaticamente não se está inserido no contexto de ministério. Em outras palavras, se alguém quer servir a Deus em um ministério, deve entender o seu chamado e partir para o voluntariado dentro da igreja. Essa talvez seja uma das maiores contradições da igreja moderna. Muitos inclusive chegam a afirmar que gostariam de, depois da aposentadoria, se dedicar mais a Deus servindo em um ministério na igreja porque terão mais tempo.
Perceba que a maioria de nós coloca um limite muito bem definido sobre dois tipos de vida diferentes: uma vida secular e uma vida cristã. Mas será que existe espaço para uma vida secular na vida de um cristão? E se isso não for assim, se a vida cristã fosse somente uma, independente de onde se esteja, não deveríamos estar também servindo a Deus em qualquer lugar onde estivéssemos? Se ministério significa servir, será que podemos servir somente no trabalho voluntário e dentro da igreja?
Na medida em que você vai refletindo nessas perguntas, pense também no alvo do nosso ministério. Relacionando a palavra ministério com servir, podemos fazer isso em três diferentes direções. Podemos servir a Deus (Atos 13:2), a outros cristãos (Hebreus 6:10) e a pessoas não cristãs (Mateus 5:13). Perceba que o servir engloba a vida do cristão como um todo, sem diferenciação de tempo, lugar ou espaço. Em outras palavras, significa dizer que independente de onde o cristão esteja, ele deve servir, inclusive se esse serviço for remunerado.
Essa nova forma de interpretar o ministério é denominada de Mandato Cultural e com ela um conceito abrangente de adoração a Deus se estabelece. Isto é, onde um cristão estiver, seja como presidente de uma empresa, como um profissional liberal, como voluntário ou em qualquer outra situação, deve entender que num mundo onde impera valores como corrupção, falta de ética, violência e tantos outros valores opostos aos valores de Cristo, a expressão clara de serviço a Deus está presente nas escolhas diárias que honram a Deus. Num primeiro momento isso pode parecer um pouco estranho, mas cada cristão foi chamado para exercer o seu ministério através do seu mandato cultural.
O conceito de Mandato Cultural está em Gênesis 1:28. Leia o que esse texto diz: “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra”. A ideia de dominar diz respeito a manter a ordem naquilo que Deus criou.
No início tudo era um caos, mas Deus colocou ordem em tudo e designou o homem para que cuidasse dessa ordem. Em outras palavras, significa dizer que trabalho é “servir a Deus, contribuir para colocar ordem no caos”. Que caos? Qualquer um. Isso mesmo! Qualquer desordem no mundo deve ser restaurada pela a ação do serviço de um cristão, independente do lugar, do tempo e da remuneração. Um empresário cristão que trabalha em sua empresa e é remunerado para isso pode servir a Deus da mesma forma como alguém que trabalha voluntariamente na igreja. Entender isso é absolutamente libertador! Sim! Libertador porque significa que você entendeu a soberania de Deus em toda, literalmente toda a sua vida. Ao exercer o seu mandato cultural você dá o melhor de si porque está, de fato, servindo a Deus.

Para a reflexão do docente: De que forma Mordomia e Mandato Cultural estão relacionados?

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